domingo, 10 de agosto de 2014

As comunidades surdas do Brasil


Há pessoas surdas em todos os estados brasileiros e muitas dessas pessoas vêm se organizando e formando associações, pelo país, que são as comunidades surdas brasileiras. Como o Brasil é muito grande e diversificado, essas comunidades se diferenciam regionalmente em relação a hábito alimentar, vestuário e situação sócio-econômica, entre outros. Esses fatores geram também variações linguísticas regionais.
As comunidade urbanas Surdas no Brasil tem como como fatores principais de integração a Libras, os esportes e interações sociais, por isso elas tem uma organização hierárquica constituída por: uma Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS); seis Federações Desportivas e aproximadamente 113 associações/clubes/sociedades/congregações, em várias capitais e cidades do interior, segundo dados de diretoria da Feneis.
A CBDS, fundada em 1984, tem como proposta o desenvolvimento esportivo dos surdos do Brasil, por isso promove campeonatos masculino e feminino em várias modalidades de esporte em nível nacional. Seus representantes são escolhidos, através de voto secreto, pelos representantes das Federações. Recentemente esta Confederação filiou-se a Confederação Internacional e os surdos brasileiros tem participado de campeonatos esportivos internacionais.
As Associações de surdos, como todas as associações, possuem estatutos que estabelecem os ciclos de eleições, quando os associados se articulam em chapas para poderem concorrer a uma gestão de dois anos geralmente.
Participam também dessas comunidades, pessoas ouvintes que fazem trabalhos de assistência social ou religiosa, ou são intérpretes, ou são familiares, pais de surdos ou cônjugues, ou ainda amigos e professores que participam ativamente em questões políticas e educacionais e por isso estão sempre nas comunidades, tornando-se membros. Os ouvintes que são filhos de surdos, muitas vezes, participam dessas comunidades desde de criancinhas o que proporciona o domínio da Libras, como de primeira língua. Estas pessoas muitas vezes se tornam intérpretes: primeiro para os próprios pais depois para a comunidade.
Os surdos, que são membros das associações, estão sempre interagindo com outras associações de outros estados ou cidade, como também com as Federações a Confederação e a FENEIS.
Diferentemente da CBDS das Federações desportivas e associações que se preocupam com a integração entre os surdos, através dos esportes e lazer a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos(FENEIS -www.feneis.org.br) é uma Entidade não governamental, registrada no Conselho Nacional de Serviço Social/MEC e não está subordinada à CBDS sendo filiada a World Federation of the Deaf.
A FENEIS foi fundada em 1987, quando os surdos resolveram assumir a liderança da Federação Nacional de Eduacação e Integração do Deficiente Auditivo (FENEIDA) que surgiu da iniciativa de várias escolas, Associações de Pais e outras instituições ligadas ao trabalho com Surdos. Sua sede é no Rio de Janeiro, mas já possui dez regionais: Belo Horizonte, Teófilo Otoni, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, São Paulo, Recife, Fortaleza e manaus.
Atualmente com mais de 100 entidades filiadas (escolas, APADAs, institutos e outras instituições), a FENEIS atua como um órgão de integração dos surdos na sociedade, através de convênios com empresas, instituições que empregam Surdos, MEC-SEESP, CORDE e SEDUC estaduais e municipais, bem como tem promovido e participado de debates, seminários, câmaras técnicas, congressos nacionais e internacionais em defesa dos direitos dos Surdos em relação à sua língua, à educação, a intérpretes em escolas e estabelecimentos públicos, a programas de televisão legendados, assistência social, jurídica e trabalhista; como também tem assento no CONADE para defender os direitos dos Surdos.
Os surdos que participam dessas comunidades tem assumido uma cultura própria. A Cultura Surda é muito recente no Brasil, tem pouco mais de cento e vinte anos, mas convivendo-se com essas Comunidades Surdas pode-se perceber uma identidade surda, ou seja, característica peculiares, como:
A maioria das pessoas Surdas prefere um relacionamento mais íntimo com uma pessoa Surda; Suas piadas envolvem a problemática da incompreensão da surdez pelo ouvinte que geralmente é o "português" que não percebe bem ou quer dar uma de esperto e se dá mal;
Seu teatro já começa a abordar questões de relacionamento, educação e visão de mundo das pessoas Surdas. Isso pode ser visto em peças que a Companhia Surda de Teatro no Rio de Janeiro, vem apresentando;
O Surdo tem um modo próprio de olhar o mundo onde as pessoas são expressões faciais e corporais. Como fala com as mãos, evita usá-las desnecessariamente e quando as usam, possui uma agilidade e leveza que podem se transformar em poesia.
Os Surdos que frequentam esses espaços de Surdos, convivem com duas comunidades e cultura: a dos surdos e a dos ouvintes e precisam utilizar duas línguas: A Libras e a língua portuguesa. Portanto, numa perspectiva sócio-lingüística e antropológica, uma Comunidade Surda não é um "lugar" onde pessoas deficientes que tem problemas de comunicação se encontram, mas um ponto de articulação política e social porque cada vez mais os Surdos se organizam nesses espaços enquanto minoria lingüística que lutam por seus direitos lingüisticos e de cidadania, impondo-se não pela deficiência mas pela diferença.
Vendo por esse prisma, pode-se falar de Cultura Surda, ou seja, Identidade Surda. O Surdo é diferente do ouvinte porque percebe e sente o mundo de forma diferenciada e se identifica com aqueles que também apreendendo o mundo como Surdos, possuem valores que vem sendo transmitidos de geração em geração independentemente da Cultura dos ouvintes a qual também se inserem.
Fonte: Libras em contexto (FENEIS)

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